Amizade é Poesia

Amizade é Poesia

Friendship is Poetry

Carta ao Pe. Paulo Ricardo: sobre a heresia e as ignorâncias

 

 

Estimado irmão em Cristo Pe. Paulo Ricardo,

 

É com grande pesar que encontrei um vídeo com tuas palavras sendo difundido nas redes sociais sobre os pronunciamentos do cantor cristão católico Guilherme de Sá da Banda Rosa de Saron durante um programa de televisão.

 

Sou Bruno Franguelli, tenho 25 anos e sou jesuíta há 9 anos. Acompanho a Banda Rosa de Saron desde os 17 anos de idade. Durante este tempo, tive a oportunidade de conhecer de perto cada um dos integrantes da Banda, e de maneira especial o Guilherme de Sá, pois sou seu amigo e diretor espiritual de sua mãe. Conheço de perto sua difícil trajetória e seu testemunho humano e cristão. Aliás, história que ele mesmo nunca ocultou e fez questão de partilhar com todos os admiradores.

 

Sim, é realmente com muito pesar que encontrei tuas palavras sendo difundidas nas redes sociais. Palavras que condenam, ferem, matam. É muito triste encontrar um cristão condenando o outro como herege ou ignorante. Heresia não seria isto: condenar um irmão? Ignorância não seria pronunciar-se a respeito de alguém sem conhecer profundamente sua história e o seu coração? E ainda mais triste é saber que não existe a mínima razão para que ele seja tratado desta maneira. Qualquer lúcido teólogo elogiaria as belas palavras de acolhida, diálogo e amor que saíram da boca do Guilherme de Sá.

 

É heresia respeitar outras religiões e crenças? É errado reconhecer que Jesus veio para todos e há sinas do Deus vivo em realidades que desconhecemos? Não é verdade que há cristãos fanáticos “bitolados” que desejam fazer da Igreja um reduto de perfeitos, salvos e não uma Igreja boa “Samaritana” que vai ao encontro do diferente e elogia a fé dos “pagãos” assim como seu Fundador o fez? Fazer uma analogia entre Francisco e João Paulo II significa desrespeitar e esquecer Bento XVI? Onde está o erro?

 

Pe. Paulo Ricardo, este “sujeito” que o senhor menciona, chama de herege ou ignorante, é um irmão que eu e milhares de jovens católicos, protestantes e sem religião amamos e estimamos.  Sim, escrevo em nome de muitos rostos que foram e continuam sendo transfigurados pelo trabalho evangelizador do Guilherme de Sá e de toda a Banda Rosa de Saron. Rostos que encontraram na beleza da poesia de suas canções um reflexo do amor de Deus. É a Rosa de Saron que nasceu em nossos desertos existenciais.

 

Teu pronunciamento pode até ser válido pelo direito que te confere a liberdade de expressão, mas talvez tuas palavras estejam um pouco diferentes daquelas amáveis, acolhedoras e nunca excludentes que foram pronunciadas pelo Nazareno. E atitude bem diferente dAquele que jamais condenou alguém por heresia e sim por hipocrisia.

 

Com respeito humano e cristão:

Bruno Franguelli,sj

 

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